O porquê de eu não comentar o Fashion Rio e o SPFW
A cada seis meses a mesma ladainha, as mesmas marcas, as mesmas pessoas, o mesmo banco, a mesma praça e o mesmo jardim. É assim que, depois de todos esses anos, eu enxergo as semanas de moda brasileiras.
A primeira vez que eu fui em um desfile foi no extinto Morumbi Fashion, o pai do SPFW. O evento não passava de um pretensioso evento de shopping com um mailing e um marketing muito bem pensado. Não é à toa que o evento ganhou as proporções que hoje tem.
Fazem Faz 12 anos desde que assisti o ~meu primeiro desfile~, do Renato Loureiro. Depois veio um do Sommer, bem bonitinho. E depois desses ainda vieram muitos outros. E como eu disse, nada mudou. Os mesmos brindes, os mesmos holofotes, as mesmas trilhas sonoras, o mesmo aviso de segurança da Bienal, a mesma falta de opções pra comer na Bienal, o mesmo problema de banheiros, os mesmos espaços patrocinados.
A nossa semana de moda não passa de um grande teatro. Um teatro onde grandes marcas (beirando à falência) falam pra si mesmas que são importantes e bem sucedidas por desfilarem suas coleções - quase sempre copiadas - ali, num cenário majestoso. Ou seja, não passa de uma coisa de auto-afirmação. Porque no final das contas, a gente sabe que todas elas vendem mesmo é na liquidação.
Tenho, e sempre tive, pena do Fashion Rio. Ele nasceu como primo pobre, e atualmente nem mesmo a imprensa do exterior entende o porquê de sermos o único país com duas “grandes” semanas de moda, e o Rio sempre fica com aquela aura de semana de moda de Miami.
E pior, vamos jogar a real? As pessoas que trabalham com moda são extremamente mal remuneradas. A grande maioria tá toda ferrada hoje por conta da greve dos metroviários e isso sim é a realidade do “mundo fashionista” e não a primeira fila. A maior parte (senão 100%) dos jornalistas de moda que estão ali na primeira fila, nem décimo terceiro ganham. Muito pelo contrário, vivem à base da Pêjota.
Então, meus amigos, eu pergunto: o que tem pra falar das semanas de moda brasileiras mesmo?